Veja abaixo alguma matérias sobre o Grupo Teknê na Imprensa


“Essencial para a formação cultural de qualquer um, a história da ciência nem sempre é apresentada de maneira agradável para o leitor. Felizmente, esse não é o caso do pequeno e bem escrito Breve História da Ciência Moderna (...)”

Ana Lucia Azevedo, Ciência e Vida - O Globo

 

DARWIN, O PAI DA EVOLUÇÃO, QUE POLARIZA OPINIÕES AINDA HOJE

Há uns três assuntos que é impossível entrar sem ganhar inimigos. São temas que polarizam as opiniões, formando grupos irredutíveis, com posições excludentes. Um deles gira em torno da evolução, tal como foi concebida por Charles Darwin (1809-1882), um inglês nada menos que genial.
Já que entre nós a conversa pode fluir em termos mais livres, vale a pena aprofundar o conhecimento sobre o tema. Ainda mais quando se pode ler um livro tão competente e agradável como “Darwin e o Pensamento Evolucionista” de Marco Braga, Andréia Guerra e José Cláudio Reis. Os três são doutores em história da ciência e dão aulas em escolas, numa combinação que certamente lhes proporcionou a devida destreza no manejo da imensa massa de informações disponível.
A conversa começa com Platão e Aristóteles, passa pelo pensamento cristão e chega ao século 19. O livro relata sucintamente as principais teses de Darwin, oferecendo pequenas incursões em temas paralelos de interesse, como no caso da reprodução de passagens escritas do grande naturalista, como uma em que ele conta seu horror pela escravidão que viu no Brasil.

Luís Augusto Fischer – Folha de São Paulo – (01/09/2003)


Com texto simples e atraente, ilustrações e sugestões de atividades complementares, o livro mantém o padrão estabelecido pelos autores no primeiro volume da série Breve história da ciência moderna. Marco Braga, Andreia Guerra e José Claudio Reis são físicos especializados em filosofia e história da ciência e formam o Grupo Teknê. Inspirado nos ateliês do Renascimento em que os artesãos mesclavam ciência, técnica e arte para elaborar seus trabalhos, o trio tem como objetivo difundir o conhecimento científico de forma interdisciplinar. Até aqui, eles têm conseguido.

Catarina Chagas - Ciência Hoje On-line - 21/06/04



Tudo é relativo

Acompanhe a história do Grupo Teknê, fundado no Rio de Janeiro por quatro físicos. Cansados de ver o ensino da disciplina preso aos conceitos newtonianos (ou seja, restrito às descobertas feitas até o final do século XIX), eles se propuseram um desafio e tanto: desenvolver atividades para explicar aos jovens do Ensino Fundamental a Física contemporânea. Uau!
Hoje, os alunos de Marco Braga na 8ª série do Colégio Santo Agostinho aprendem Teoria da Relatividade. É isso mesmo. Com transparências de obras de arte, filmes e um livro paradidático em que Einstein bate papo com Galileu para explicar suas idéias, o criador do Teknê transforma quarenta adolescentes da tradicional instituição carioca em loucos por Física. A aula começa com uma provocação: nós viajamos ao passado a todo instante. Entre risos e piadas, a classe logo percebe que é isso mesmo. Só que, para entender a lógica aparentemente ilógica, é preciso abandonar as noções clássicas (para não dizer velhas) de espaço e tempo.
Siga a explicação de Braga: a luz viaja no espaço a 300000 quilômetros por segundo e só vemos os objetos que a refletem. Quando a distância entre nós e o que vemos é pequena, o trajeto se dá em frações de tempo ínfimas. Portanto, sempre vemos o passado, ainda que muitíssimo recente. Já a luz do Sol demora 8 minutos para chegar à Terra. Ao contemplar as estrelas, vemos a luz emitida por elas há 10 milhões ou, em alguns casos, 2 bilhões de anos... Mais uma vez, estamos em contato com o passado. Agora, o do Universo.
Nessa hora, a garotada está boquiaberta, fascinada e, acima de tudo, curiosa. O professor leva para a classe um pequeno arsenal que prende ainda mais a atenção. Transparências de pinturas de Claude Monet e Pablo Picasso exemplificam como a sociedade do final do século XIX e começo do XX repensava a noção de espaço e tempo. Com isso, mostra que Einstein não tirou a Teoria da Relatividade da cartola.


Ricardo Beliel
Tudo é relativo: Braga (de barba) usa lençol,
maçã e limão para explicar o buraco negro

Buracos negros

A conversa sobre velocidade da luz, como não poderia deixar de ser, desperta a curiosidade sobre um tema que fascina a garotada: os buracos negros. A teoria vira realidade de forma engenhosa. Os estudantes seguram um lençol (que representa o espaço-tempo, outro conceito de Einstein) a 1 metro do solo e colocam uma maçã no meio, provocando uma curvatura. Em seguida, um limão é atirado no "sistema". Ele dá voltas em torno da maçã e se gruda nela. Ou seja, corpos (e, no caso do espaço, astros) mais densos atraem outros em sua direção. Isso não se dá pela força da gravidade resultante de sua massa, mas pela curvatura que provocam no espaço-tempo ocupado por eles. Se você jogar uma bolinha de chumbo (que, embora menor, é mais pesada) sobre o tecido, certamente a maçã e o limão serão engolidos pelo novo "buraco negro".
Chegou a hora de voltar para o Universo — e apresentar a explicação científica para o fenômeno. Quando uma estrela morre, pode entrar em colapso e ter sua massa reduzida a um ponto de densidade infinita. Esse ponto provoca uma curvatura bastante profunda no espaço-tempo, atraindo tudo o que passa por perto. Inclusive a luz, que não consegue escapar, tornando o buraco totalmente negro. Encontrar esse modelo de aula não foi fácil. Os físicos do Teknê também achavam falha a própria formação. Por isso, se uniram na busca de linguagens mais divertidas e eficientes para ensinar. Tiraram o jaleco de detentores do conhecimento e vestiram o de parceiros de aprendizagem.

PAOLA GENTILE - REVISTA NOVA ESCOLA - JUNHO-2001 -