no campo da pesquisa, muito tem se falado das alternativas para se superar o ensino meramente matemático e de "decoreba" de fórmulas sem maior significado para os alunos.
Entrada em Jerusalém, de Pietro Lorenzetti só que no campo da prática pedagógica quase nada tem se avançado na mudança das práticas vigentes já há décadas. como um grupo de professores do ensino médio, mas que não abre mão de pensar e modificar a prática docente, temos acumulado ao longo dos anos experiências e reflexões teóricas a respeito do papel e das estratégias de atuação para modificar o panorama do atual ensino de física. nesse sentido, temos desenvolvido práticas que tentam buscar relações entre os desenvolvimentos da Arte e da Ciência como forma de melhor entender a segunda, em particular a física, a partir da compreensão do ambiente cultural em que as teorias científicas foram construídas. a busca por entender o universo cultural da produção das teorias científicas se reveste de dupla importância para nós. A primeira é que entender a ciência por UM viés histórico-filosófico dá significado e concretude às teorias estudadas. o segundo aspecto diz respeito ao que entendemos por ensinar melhor uma ciência. Estudar ciência deve passar por compreender o processo de construção histórico-filosófico de suas teorias.
Noite Estrelada, de Vincent Van Gogh e aqui reside um ponto fundamental das possibilidades do ensino de ciências; é muito mais difícil entender os conteúdos da ciência sem uma visão ampla do universo cultural em que as teorias foram geradas. ao buscarmos as inter-relações entre ciência e arte, estaremos confrontado os estudantes com duas formas de expressar visões de mundo, que utilizam linguagens diferentes. o entendimento de uma pode ajudar a compreender a outra. aqui iremos apenas apresentar muito resumidamente uma passagem que ilustra nossa abordagem.
A Madona do Chanceler Rolim, de Jan Van Eick o universo aristotélico, hierarquizado
e imutável, é retratado pela pintura medieval. Os quadros separam completamente
o Céu da Terra, pois estes mundos eram incomunicáveis. a teoria gravitacional newtoniana unifica a física terrestre e celeste,
acabando com a separação medieval de céu e terra. O universo passa a
ser todo regido pela mesma lei. O que novamente estará presente na representação
pictórica.
Bibliografia THUILLIER, Pierre — De Arquimedes a Einstein: a face oculta da invenção científica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1994. ARGAN, Giulio Carlo — Arte Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. SHLAIN, Leonard — Art & Physics: parallel visions in space, time and light. New York: Morrow, 1991.
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